Um caso de suposta importunação sexual registrado dentro da academia de um condomínio em Feira de Santana, na Bahia, provocou grande repercussão nas redes sociais e colocou o nome de Pedro Henrique Bensberg, de 24 anos, no centro das investigações conduzidas pela Polícia Civil. O episódio veio à tona depois que uma moradora percebeu, ao revisar a gravação do próprio treino, que havia registrado um homem realizando um ato de natureza sexual enquanto a observava. A divulgação das imagens gerou indignação e levou as autoridades a intensificarem as buscas pelo investigado. É importante destacar que Pedro Henrique é investigado pelo caso e terá direito ao contraditório e à ampla defesa durante o processo.
Segundo as investigações, Pedro Henrique mora no mesmo condomínio onde ocorreu o episódio, ao lado da mãe. Nas redes sociais, ele se apresentava como educador físico, utilizava o apelido "El Pedrito" e mantinha a frase "Blindado de Fé" na descrição de seu perfil. Veículos da imprensa local o identificam como estudante de Educação Física, embora não haja confirmação pública sobre eventual registro profissional na área. Antes da repercussão do caso, seu perfil público reunia pouco mais de 1.200 seguidores, além de uma segunda conta privada voltada apenas para amigos e familiares. Após a ampla divulgação das imagens, ambas as páginas foram desativadas.
O caso aconteceu na manhã de domingo (19), na academia do Condomínio Reserva Buriti, localizado no bairro SIM, em Feira de Santana. A vítima, uma mulher de 35 anos, costumava gravar seus treinos para produzir conteúdo para as redes sociais. Na ocasião, ela posicionou o celular para registrar a atividade física sem perceber que, ao fundo da gravação, aparecia o investigado. Somente ao assistir ao vídeo posteriormente, ela notou a suposta prática de um ato libidinoso direcionado a ela. Imediatamente após perceber o ocorrido, deixou o local, procurou a administração do condomínio e acionou a Polícia Militar. Quando os agentes chegaram, o suspeito já havia deixado o residencial.
Durante o avanço das investigações, um novo elemento chamou a atenção das autoridades. De acordo com a delegada Lorena Almeida, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Feira de Santana, imagens do circuito interno indicam que o investigado teria alterado a posição de uma câmera de segurança antes da ocorrência e, logo após o episódio, recolocado o equipamento na posição original. Para a polícia, esse comportamento pode indicar planejamento prévio da ação, hipótese que continua sendo apurada ao longo do inquérito.
A Polícia Civil analisa tanto a gravação feita pelo celular da vítima quanto as imagens do sistema de monitoramento do condomínio. A mulher já prestou depoimento, enquanto peritos e investigadores trabalham na consolidação das provas reunidas durante a investigação. Segundo a Deam, já existem indícios de autoria suficientes para o prosseguimento das diligências, embora o procedimento ainda esteja em andamento.
Com a repercussão nacional do caso, a Justiça passou a adotar medidas para localizar o investigado. Conforme informações divulgadas posteriormente pelas autoridades, foi decretada a prisão temporária do suspeito, que segue sendo procurado pelas forças de segurança. A Polícia Civil continua realizando diligências para cumprir a decisão judicial e esclarecer todos os detalhes relacionados ao episódio.
O caso também reacendeu o debate sobre o crime de importunação sexual, previsto no artigo 215-A do Código Penal Brasileiro. A legislação caracteriza esse delito como a prática de ato libidinoso contra alguém, sem seu consentimento, com o objetivo de satisfazer desejo próprio ou de terceiros. A norma foi criada em 2018 para ampliar a proteção às vítimas de condutas dessa natureza e prevê pena de reclusão de um a cinco anos, quando o fato não constitui crime mais grave.
