O que faz um aluno permanecer na escola de música?

Especialista explica como a experiência construída após a matrícula pode fortalecer o vínculo nos primeiros meses

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Passada a temporada de matrículas do meio do ano, os primeiros meses de aula podem ser decisivos para a permanência dos alunos nas escolas de música. Segundo a empresária, Mestre em Educação, musicista e mentora Cintya Soares (@ibprof.com.br no Instagram), mensalidade e concorrência não são os únicos fatores que influenciam essa decisão. A experiência construída depois da matrícula também pode determinar se o estudante continuará ou começará a se afastar.


Agosto costuma ser um mês revelador para essas instituições. Após a volta das férias, as primeiras semanas mostram quais alunos mantêm a frequência e quais começam a faltar. Para Cintya, que atua há 33 anos na educação musical, esse é um momento em que as escolas podem fazer a diferença, desde que o acompanhamento não termine após a assinatura do contrato.


“Quando você fecha uma venda, ela está apenas começando. A partir da assinatura do contrato, é preciso trabalhar os motivos para que aquele aluno queira continuar aprendendo em determinada escola, com todos os entregáveis e vivência que a escola oferece”, afirma.


A experiência começa após a matrícula

Muitos proprietários de escolas de música são músicos e educadores com experiência artística e pedagógica, mas não tiveram contato, durante a formação, com temas ligados à gestão empresarial. Como resultado, a escola pode celebrar a matrícula sem planejar com o mesmo cuidado as etapas seguintes.

Uma escola de música não entrega um produto em uma única ocasião. Ela oferece uma relação que se renova a cada mês e depende do vínculo, da confiança e do acompanhamento construídos ao longo do tempo.

Segundo Cintya, enquanto o aluno permanece na instituição, a escola precisa demonstrar diariamente o valor das aulas por meio da experiência e do atendimento. A permanência sustenta a saúde financeira do negócio e, ao mesmo tempo, permite a continuidade do aprendizado.


O acompanhamento precisa virar método

Para a especialista, um dos principais erros das escolas é acreditar que o acolhimento e o acompanhamento ocorrerão naturalmente. Quando essas etapas não estão organizadas, o cuidado pode depender da memória, da iniciativa ou da disponibilidade de uma pessoa específica.

Se essa pessoa falta ou não consegue acompanhar o aluno, o processo se perde. A alternativa defendida por Cintya é estabelecer um caminho claro para toda a jornada do estudante, desde o primeiro contato e a matrícula até os meses iniciais de aula.

Com essa organização, o acompanhamento deixa de depender da improvisação e passa a fazer parte do método da escola.


Permanência também sustenta o acesso à música

A música é uma das quatro linguagens artísticas previstas na Base Nacional Comum Curricular, e seu ensino integra a educação básica. Apesar disso, a oferta efetiva nas escolas regulares ainda é limitada. Na prática, parte da formação musical de crianças, jovens e adultos acontece em instituições especializadas.

Essas escolas assumem, portanto, um papel importante na ampliação do acesso à música. Cada desistência representa uma perda financeira para o negócio, mas também pode interromper uma trajetória de formação artística.

Para Cintya, o acompanhamento após a matrícula não deve ser tratado apenas como uma estratégia de gestão. Ele também faz parte da missão educacional da escola, porque permite que o aluno continue seu processo de desenvolvimento.

“Quando um aluno permanece, a escola não preserva apenas uma matrícula. Ela preserva uma oportunidade de transformação por meio da música. O objetivo inicial não é formar músicos; é formar pessoas”, conclui.


Quem é Cintya Soares?

Cintya Soares é Empresária, mentora, mestre em Educação, pós-graduada em Música, fonoaudióloga e musicista. Atua há mais de 33 anos na educação musical e, há décadas, dedica-se ao empreendedorismo e à formação de professores e gestores de escolas de música em todo o Brasil. É criadora do Método Criança e Música e possui três produtos educacionais chancelados pelo MEC, com foco em formação, metodologia e desenvolvimento da educação musical.

À frente de programas de mentoria, pós-graduação e treinamentos para o mercado educacional, Cintya já auxiliou centenas de professores e donos de escolas de música na estruturação de negócios mais sustentáveis, organizados e rentáveis, unindo educação, gestão, posicionamento e crescimento empresarial. Seu trabalho tem como missão fortalecer a educação musical no Brasil e ajudar profissionais da área a enxergarem a música também como negócio, sem perder a excelência pedagógica e o propósito educacional.

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