Morre Tiago Pitthan, advogado que organizou o próprio velório

Diagnosticado com câncer terminal, advogado transformou a despedida em um encontro com familiares e amigos semanas antes de morrer e emocionou o país com sua última mensagem

Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

A história que comoveu milhares de brasileiros nas últimas semanas chegou ao fim na noite deste domingo (5). O advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, morreu em Campo Grande (MS), após enfrentar um câncer de estômago em estágio avançado. Conhecido nacionalmente por ter organizado o próprio velório ainda em vida, ele transformou seus últimos meses em uma mensagem de coragem, aceitação e valorização do presente, inspirando pessoas em todo o país.


A morte foi confirmada pela família nas redes sociais. Em nota, os familiares informaram que Tiago "combateu o bom combate" e convidaram amigos para uma cerimônia de despedida que, segundo eles, refletiria a forma como ele escolheu viver seus últimos dias: cercado de carinho, amor e boas lembranças.


O advogado lutava contra um adenocarcinoma gástrico diagnosticado em 2024. Após exames e procedimentos médicos, descobriu que a doença havia se espalhado para outros órgãos, tornando o tratamento exclusivamente paliativo. Desde então, decidiu compartilhar sua rotina nas redes sociais, onde passou a abordar a doença com transparência e bom humor, adotando como lema uma frase que acabou se tornando símbolo de sua trajetória: "Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem."


A repercussão nacional veio no fim de maio, quando Tiago decidiu fazer algo incomum: organizar o próprio velório enquanto ainda podia participar da celebração.


A ideia surgiu após o falecimento de seu pai, em 2025. Durante aquela cerimônia, ele percebeu que muitas histórias emocionantes eram contadas sobre a vida do homenageado, mas o principal personagem já não podia ouvi-las. Foi então que decidiu que não queria "faltar" ao próprio velório.


No dia 30 de maio, um antigo galpão de cervejaria, em Campo Grande, foi transformado em um grande encontro entre amigos, familiares e pessoas que marcaram sua trajetória. Em vez do clima tradicional de despedida, o evento reuniu música ao vivo, samba, rock, bossa nova, rodas de conversa, food trucks, apresentações artísticas e momentos de celebração da vida.


Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Tiago subiu ao palco para tocar guitarra. Aprender o instrumento era um sonho antigo que ele decidiu realizar depois de receber o diagnóstico de que sua doença não tinha possibilidade de cura. A apresentação foi recebida com aplausos e simbolizou sua decisão de aproveitar intensamente o tempo que ainda tinha.


A última mensagem

Mesmo já internado, Tiago manteve o hábito de conversar com seus seguidores. Horas antes de morrer, publicou um vídeo diretamente do hospital com uma despedida que rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

"Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito."

A mensagem foi interpretada por muitos como uma síntese da forma como escolheu enfrentar a doença: sem negar a gravidade do diagnóstico, mas também sem permitir que ele definisse completamente sua existência.


Um novo olhar sobre a morte

Durante entrevistas concedidas nos últimos meses, Tiago defendia que falar sobre a morte deveria deixar de ser um tabu. Segundo ele, evitar o assunto apenas aumentava o sofrimento de quem enfrenta doenças graves e de seus familiares.

Ao organizar a própria despedida, buscou transformar um momento tradicionalmente marcado pela tristeza em uma oportunidade para agradecer, ouvir histórias, reencontrar pessoas importantes e celebrar tudo o que viveu.

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