Arqueólogos descobrem dezoito tumbas antigas com línguas de ouro no Egito

Reprodução/Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

Uma descoberta arqueológica na costa do Mediterrâneo está lançando nova luz sobre os rituais funerários do Egito Antigo. Uma missão arqueológica egípcia anunciou a identificação de 18 tumbas datadas dos períodos ptolomaico e romano, entre os séculos IV a.C. e IV d.C., em Marina El Alamein, no norte do Egito. O achado chamou a atenção principalmente pela presença de 24 "línguas de ouro", finas lâminas metálicas colocadas na boca de alguns dos mortos como parte de um ritual religioso ligado à crença na vida após a morte.


As escavações foram realizadas na antiga cidade portuária de Leukaspis, um importante centro comercial que conectava o Egito ao restante do Mediterrâneo durante o domínio dos sucessores de Alexandre, o Grande, e, posteriormente, do Império Romano. Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, foram identificadas 11 tumbas escavadas diretamente na rocha, algumas com cerca de oito metros de profundidade, além de sete sepulturas construídas em calcário na superfície.


O elemento mais curioso encontrado pelos arqueólogos foram as chamadas "línguas de ouro". Os pequenos amuletos, moldados em formato de língua humana, eram colocados dentro da boca dos falecidos antes do sepultamento. Os antigos egípcios acreditavam que o ouro era a "carne dos deuses" e que esse material permitiria ao morto falar diante de Osíris, divindade responsável pelo julgamento das almas, ou recitar fórmulas sagradas durante sua passagem para o além.


Embora o ritual já tivesse sido observado em descobertas anteriores no Egito, a quantidade de amuletos encontrados nesta escavação tornou o sítio um dos exemplos mais importantes desse costume funerário. Os pesquisadores destacam que a descoberta ajuda a compreender como tradições religiosas egípcias continuaram sendo preservadas mesmo durante períodos de forte influência grega e romana.


Além das lâminas de ouro, a equipe encontrou um grande sarcófago de granito contendo restos mortais humanos, recipientes cerâmicos, lamparinas, ânforas, moedas, objetos de uso cotidiano e diversas peças ornamentais. Entre os itens de maior destaque estão uma estátua da deusa grega Afrodite, uma pequena esfinge de gesso e um altar de oferendas construído sobre uma base que lembra uma "porta falsa", elemento comum na arquitetura funerária egípcia e que simbolizava a passagem entre o mundo dos vivos e o dos mortos.


Esses objetos demonstram a intensa mistura cultural existente na região durante os períodos ptolomaico e romano. Após a conquista do Egito por Alexandre, o Grande, no século IV a.C., e posteriormente com a incorporação do território ao Império Romano, elementos da religião, da arte e dos costumes gregos passaram a conviver com as antigas tradições egípcias, criando uma identidade cultural bastante singular.


Os arqueólogos também ressaltam que o excelente estado de preservação das sepulturas permitirá estudos mais aprofundados sobre alimentação, saúde, práticas religiosas e organização social das populações que viveram na região há aproximadamente dois mil anos. A análise dos esqueletos e dos objetos encontrados poderá fornecer novas informações sobre as relações comerciais e culturais entre o Egito e outras civilizações do Mediterrâneo.

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