Robô é investigado por suspeita de assédio sexual na Alemanha após abordar adolescente de 16 anos

Polícia de Colônia apreendeu equipamento humanoide e celulares de dois jovens suspeitos de transmitir o episódio ao vivo; investigação busca esclarecer se os movimentos foram programados ou controlados remotamente

Reprodução/Polícia de Colônia

Um caso incomum envolvendo um robô humanoide mobilizou a polícia de Colônia, na Alemanha, e levantou questionamentos sobre a responsabilidade humana no uso de máquinas capazes de interagir fisicamente com pessoas. As autoridades investigam uma suspeita de assédio sexual contra uma adolescente de 16 anos, que teria sido tocada de maneira inapropriada por um robô durante a madrugada de domingo (11). O episódio teria sido filmado e transmitido ao vivo nas redes sociais por dois jovens, de 16 e 19 anos, considerados suspeitos na investigação.


Segundo informações divulgadas pela polícia alemã, a adolescente estava acompanhada de duas amigas nas proximidades de uma lanchonete, na região central de Colônia, quando foi surpreendida pelo equipamento. O robô, de aproximadamente 1,20 metro de altura, teria se aproximado por trás, tocado suas nádegas e realizado movimentos de conotação sexual. O aparelho, nas cores vermelha e dourada, chamava a atenção pela aparência: usava roupas, óculos escuros, corrente dourada e um bigode aparentemente falso.


A ocorrência aconteceu durante a noite de sábado (10) para domingo (11), em uma área movimentada da cidade. De acordo com os investigadores, o adolescente de 16 anos seria o proprietário do robô, enquanto um acompanhante de 19 anos também estaria envolvido na gravação e na transmissão das imagens. Os dois teriam comentado o episódio enquanto o conteúdo era exibido na internet. Até o momento das informações divulgadas nesta terça-feira (13), ambos eram tratados como suspeitos e não haviam sido formalmente acusados.


Após serem acionados, policiais localizaram os dois jovens nas proximidades do local da ocorrência. O robô foi encontrado no porta-malas de um veículo e apreendido como possível prova, juntamente com dois telefones celulares. Os dispositivos serão analisados para esclarecer as circunstâncias do episódio, incluindo a forma como o equipamento estava sendo operado e a possível participação dos envolvidos em seus movimentos.


Uma das principais questões da investigação é determinar se o robô executou comandos programados anteriormente ou se estava sendo controlado em tempo real. A distinção é importante porque pode ajudar a esclarecer a intenção e a responsabilidade das pessoas envolvidas. Embora equipamentos humanoides possam realizar movimentos automatizados, também existem modelos capazes de reproduzir ações ensinadas por operadores ou receber comandos externos.


O porta-voz da polícia de Colônia, Christoph Bermel, afirmou à agência Associated Press que as autoridades ainda não haviam se deparado com uma ocorrência semelhante. Segundo ele, o caso representa uma situação inédita para os investigadores, que precisam compreender tanto o funcionamento do equipamento quanto a eventual responsabilidade criminal de seus operadores.


Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o robô interagindo com pessoas em uma rua movimentada. Em algumas imagens, dois jovens aparecem acompanhando o equipamento, enquanto pessoas próximas reagem aos movimentos realizados pela máquina. Um dos envolvidos divulgou posteriormente uma versão segundo a qual o robô teria esbarrado acidentalmente em uma mulher ao tentar desviar de outra pessoa. Entretanto, registros mais longos mostram movimentos de conotação sexual após o contato, circunstâncias que continuam sendo examinadas pelas autoridades.


A polícia também analisa gravações de câmeras de vigilância instaladas na região para reconstruir a sequência dos acontecimentos. O caso é investigado sob suspeita de uma infração de natureza sexual prevista na legislação alemã. A definição de eventual responsabilidade dependerá das provas reunidas, especialmente da identificação de quem comandava ou havia programado o equipamento.


Além da possível conduta criminosa, a transmissão do episódio pelas redes sociais acrescentou outra dimensão à investigação. A divulgação de imagens envolvendo uma adolescente pode ampliar a exposição da vítima e prolongar os efeitos da situação. Em manifestação pública, a polícia de Colônia criticou comentários inadequados sobre o caso e alertou que compartilhar ou transformar episódios dessa natureza em motivo de piada pode agravar o sofrimento das pessoas envolvidas.

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