Considerado o maior tubarão-branco macho já registrado no Oceano Atlântico, animal de quase 4,3 metros e cerca de 770 quilos voltou a emitir sinal de rastreamento
O misterioso desaparecimento de um dos maiores predadores marinhos monitorados pela ciência pode ter chegado ao fim. O tubarão-branco Contender, considerado o maior macho da espécie já registrado no Oceano Atlântico, voltou a ser detectado por pesquisadores após vários meses sem emitir qualquer sinal de seu transmissor via satélite.
O Contender ganhou notoriedade em janeiro de 2025, quando foi capturado, analisado e marcado pela organização de pesquisa marinha OCEARCH nas águas entre a Flórida e a Geórgia, nos Estados Unidos. Na ocasião, os pesquisadores registraram um exemplar com aproximadamente 4,2 metros de comprimento e cerca de 770 quilos, dimensões que o colocaram como o maior macho da espécie já catalogado no Atlântico. Desde então, o animal passou a ser acompanhado por meio de um transmissor instalado em sua nadadeira dorsal.
O sistema de rastreamento funciona apenas quando a nadadeira rompe a superfície do mar. Nesses momentos, o equipamento envia coordenadas para satélites, permitindo que cientistas acompanhem a rota migratória do tubarão praticamente em tempo real. Entretanto, desde abril deste ano, quando foi localizado pela última vez próximo à costa da Carolina do Norte, o Contender deixou de transmitir informações, levantando dúvidas sobre seu paradeiro.
A expectativa terminou quando o transmissor voltou a emitir um breve sinal, conhecido pelos pesquisadores como "Z-ping". Diferentemente de uma transmissão completa, esse tipo de registro indica apenas que o animal emergiu por poucos segundos, tempo insuficiente para que o satélite determinasse sua posição exata. Apesar disso, o simples reaparecimento confirmou que o tubarão continua vivo e seguindo sua rota migratória pelo Atlântico Norte.
Embora o local preciso permaneça desconhecido, especialistas da OCEARCH acreditam que o Contender esteja seguindo o comportamento típico dos tubarões-brancos durante o verão no hemisfério norte. Nessa época do ano, muitos indivíduos migram em direção às águas mais frias de Cape Cod, em Massachusetts, e da costa atlântica do Canadá, regiões que oferecem abundância de focas e grandes peixes, principais presas da espécie.
Desde que recebeu o transmissor, o tubarão já percorreu mais de 11 mil quilômetros ao longo da costa leste da América do Norte. Os dados coletados pelos pesquisadores ajudam a compreender padrões migratórios ainda pouco conhecidos, identificar áreas críticas para alimentação e reprodução e orientar políticas de conservação para uma espécie considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Apesar da fama de predador, os pesquisadores ressaltam que tubarões-brancos raramente representam ameaça direta aos seres humanos. Ataques continuam sendo extremamente incomuns quando comparados ao número de pessoas que frequentam praias todos os anos. O monitoramento de animais como o Contender busca justamente ampliar o conhecimento científico sobre seus deslocamentos e reduzir conflitos entre a espécie e atividades humanas.
