Emocionado depois da derrota para a Noruega nas oitavas de final, camisa 10 indica o fim de sua trajetória com a Seleção e encerra um ciclo iniciado há 16 anos
O fim da participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 marcou também, ao que tudo indica, o encerramento de uma das trajetórias mais importantes da história da Seleção Brasileira. Logo após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final do Mundial, Neymar deu fortes indícios de que não voltará a vestir a camisa verde e amarela, colocando um ponto final em uma carreira marcada por recordes, títulos, lesões, polêmicas e um protagonismo que atravessou mais de uma década.
Visivelmente emocionado, o camisa 10 deixou o gramado chorando, foi consolado por companheiros de equipe e, ao falar com a imprensa, resumiu em poucas palavras o sentimento de despedida.
— Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui — declarou o atacante em entrevista à "Ge TV", fazendo referência ao fato de que estreou pela Seleção Brasileira justamente no MetLife Stadium, palco onde disputou sua última partida pelo Brasil.
A eliminação teve um peso ainda maior pelo contexto. O Brasil caiu nas oitavas de final diante da Noruega, que venceu por 2 a 1 com dois gols de Erling Haaland. Neymar ainda marcou o único gol brasileiro, convertendo um pênalti nos acréscimos, mas a reação veio tarde demais para evitar uma das eliminações mais dolorosas da história recente da Seleção.
Um adeus com gol e recordes
Mesmo na despedida, Neymar voltou a deixar sua marca. O gol contra os noruegueses foi o de número 80 com a camisa da Seleção Brasileira, consolidando ainda mais sua posição como maior artilheiro da história da equipe nacional. Além disso, encerra sua passagem com 130 partidas disputadas e 58 assistências, números que o colocam entre os jogadores mais importantes da história do futebol brasileiro.
A partida também simbolizou o fechamento de um ciclo iniciado em agosto de 2010, quando, aos 18 anos, Neymar estreou pela Seleção principal sob o comando de Mano Menezes. Desde então, participou de quatro Copas do Mundo, conquistou a Copa das Confederações de 2013 e liderou a geração que garantiu ao Brasil o inédito ouro olímpico nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.
Uma carreira marcada por brilho e frustrações
Poucos jogadores dividiram tantas opiniões quanto Neymar durante sua passagem pela Seleção. Dono de um talento reconhecido mundialmente, o atacante frequentemente assumiu a responsabilidade de liderar o Brasil em grandes competições.
Ao longo da carreira, acumulou atuações memoráveis, gols decisivos e recordes históricos. Por outro lado, conviveu com lesões em momentos cruciais, eliminações traumáticas e uma pressão constante por devolver ao país o tão esperado sexto título mundial.
Em 2014, viu a Copa disputada em casa terminar antes das semifinais após sofrer uma grave lesão nas costas contra a Colômbia. Em 2018, o Brasil caiu diante da Bélgica nas quartas de final. Em 2022, a eliminação veio nos pênaltis para a Croácia. Agora, em 2026, a despedida acontece ainda nas oitavas, após a derrota para os noruegueses.
O resultado amplia o maior jejum brasileiro sem conquistar uma Copa do Mundo. Caso o título não venha em 2030, o país completará 28 anos sem levantar o principal troféu do futebol mundial.
