Mamba Water identificou mesma bactéria de Ypê e Crystal em lotes de água

Reprodução/@mambawater

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de dois lotes da água mineral sem gás da Mamba Water após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa, o mesmo microrganismo que motivou, nos últimos meses, medidas semelhantes envolvendo produtos da Ypê e da água mineral Crystal. 


Segundo a Anvisa, a suspensão atinge os lotes 13 e 14 da água mineral sem gás em lata de 350 ml, produzidos nos dias 3 e 4 de abril de 2026, com validade até abril de 2027. Além do recolhimento voluntário promovido pela fabricante, a agência determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso desses produtos em todo o território nacional.


Diferentemente de muitos recalls iniciados após denúncias ou notificações de consumidores, neste caso a própria fabricante, HNK BR Indústria de Bebidas Ltda., comunicou espontaneamente a ocorrência às autoridades sanitárias. A bactéria foi identificada durante análises microbiológicas realizadas como parte dos procedimentos internos de controle de qualidade, antes que fossem registrados problemas de saúde relacionados ao consumo da água.


Em comunicado oficial, a empresa informou que o episódio foi pontual e restrito aos dois lotes específicos. A Mamba Water destacou ainda que não recebeu reclamações de consumidores nem identificou qualquer impacto à saúde relacionado aos produtos recolhidos. Segundo a fabricante, aproximadamente 82% do volume produzido desses lotes já havia sido bloqueado preventivamente e retirado de circulação antes mesmo da publicação da medida da Anvisa.


O caso representa o terceiro episódio envolvendo a bactéria Pseudomonas aeruginosa no Brasil em poucos meses. Em abril, a Anvisa determinou a suspensão de mais de uma centena de lotes de produtos de limpeza da Ypê após identificar o mesmo microrganismo. Já em junho, um lote da água mineral Crystal também precisou ser recolhido por apresentar contaminação semelhante. Embora os produtos pertençam a segmentos diferentes e não exista relação entre os processos produtivos das empresas, a repetição do mesmo agente microbiológico chamou a atenção de especialistas e consumidores.


A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente encontrada na natureza, estando presente no solo, na água e em ambientes úmidos. Para pessoas saudáveis, o risco de desenvolver infecções após o contato costuma ser baixo. Entretanto, em indivíduos com o sistema imunológico comprometido - como pacientes hospitalizados, transplantados, pessoas em tratamento contra o câncer ou portadores de doenças crônicas - ela pode provocar infecções potencialmente graves, atingindo pulmões, trato urinário, corrente sanguínea, pele, olhos, ouvidos, ossos e até válvulas cardíacas. Além disso, é conhecida por apresentar resistência a diversos antibióticos, característica que torna algumas infecções mais difíceis de tratar.


Apesar de o risco para a população em geral ser considerado reduzido, a legislação sanitária brasileira estabelece padrões microbiológicos rigorosos para produtos destinados ao consumo humano. Dessa forma, a simples detecção da bactéria em água mineral já é suficiente para justificar o recolhimento imediato dos lotes afetados, independentemente da existência de registros de pessoas contaminadas. O objetivo é evitar qualquer possibilidade de exposição do consumidor e preservar a segurança dos alimentos comercializados no país.


A orientação da Anvisa é para que consumidores que possuam unidades dos lotes envolvidos não consumam o produto. A fabricante informou que disponibilizou canais de atendimento para reembolso ou substituição das embalagens, sem qualquer custo aos clientes. Quem ingeriu a água não precisa entrar em pânico, mas deve observar o surgimento de sintomas incomuns, especialmente pessoas pertencentes aos grupos de maior risco, que devem procurar orientação médica caso apresentem sinais de infecção.

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