Durante décadas, o nome Ferrari foi sinônimo de motores V8 e V12, roncos inconfundíveis e esportivos que se tornaram verdadeiros ícones da indústria automotiva. Agora, a fabricante italiana inicia um dos capítulos mais importantes de sua história com o lançamento do Ferrari Luce, seu primeiro modelo totalmente elétrico. O veículo representa uma mudança profunda na estratégia da empresa ao unir desempenho extremo, luxo e eletrificação em um crossover de quatro portas que deverá desembarcar oficialmente no Brasil durante o segundo semestre de 2027.
Batizado de Luce, palavra italiana para "luz", o novo modelo simboliza a entrada definitiva da Ferrari na era dos veículos movidos exclusivamente por eletricidade. Embora a marca já tivesse apostado em sistemas híbridos em modelos como o SF90 Stradale e o 296 GTB, esta é a primeira vez que elimina completamente o motor a combustão de um carro de produção regular. A decisão faz parte da estratégia de eletrificação da fabricante, que busca ampliar seu portfólio sem abandonar os esportivos tradicionais movidos a gasolina.
Visualmente, o Luce rompe com diversos padrões históricos da Ferrari. O modelo adota uma carroceria de perfil elevado, com linhas que misturam características de um crossover esportivo e de um grand tourer. São quatro portas e espaço para cinco ocupantes, configuração inédita para um veículo totalmente elétrico da fabricante italiana. O desenho foi desenvolvido em parceria com a LoveFrom, estúdio liderado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple e um dos criadores do iPhone, além do designer Marc Newson. O resultado é um automóvel que divide opiniões, mas demonstra claramente a intenção da Ferrari de explorar novas linguagens estéticas sem abrir mão da sofisticação.
Sob a carroceria está um conjunto mecânico impressionante. O Luce utiliza quatro motores elétricos, um em cada roda, capazes de entregar 1.050 cavalos de potência e vetorização individual de torque. Essa configuração permite distribuir a força de forma independente entre as rodas, aumentando a estabilidade, a aderência e a precisão nas curvas. Graças ao torque instantâneo característico dos veículos elétricos, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos, alcança 200 km/h em 6,8 segundos e supera os 310 km/h de velocidade máxima, números compatíveis com os superesportivos mais rápidos da atualidade.
A bateria estrutural de 122 kWh utiliza arquitetura elétrica de 800 volts, permitindo recargas ultrarrápidas de até 350 kW. Segundo a Ferrari, isso garante uma autonomia superior a 530 quilômetros pelo ciclo WLTP, além de reduzir significativamente o tempo necessário para recuperar energia durante viagens longas. A fabricante também desenvolveu internamente boa parte dos componentes elétricos, incluindo motores e sistemas eletrônicos, reforçando sua estratégia de manter o controle tecnológico sobre o projeto.
Outro aspecto que recebeu atenção especial foi a experiência sensorial ao volante. Uma das críticas mais comuns aos carros elétricos é a ausência do tradicional ronco dos motores. Para minimizar essa diferença, a Ferrari criou um sistema que capta as vibrações reais dos componentes mecânicos por meio de sensores e amplifica esses sons de forma física, em vez de reproduzir efeitos artificiais gravados. O motorista ainda poderá ajustar a intensidade sonora conforme o modo de condução selecionado.
No interior, a proposta também representa uma evolução importante. Depois de receber críticas pelo excesso de comandos sensíveis ao toque em modelos recentes, a Ferrari decidiu retomar o uso de botões físicos e controles táteis, privilegiando a ergonomia durante a condução. O acabamento combina couro premium, alumínio reciclado, vidro de alta resistência e quatro telas OLED desenvolvidas em parceria com a Samsung Display. O ambiente busca equilibrar tecnologia de ponta e a tradicional sensação artesanal presente nos automóveis da marca.
No mercado internacional, o Ferrari Luce foi apresentado com preço inicial de aproximadamente 550 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 3,5 milhões na conversão direta, sem considerar impostos e taxas de importação.
