Caçadores de tesouros recuperam barra de prata de naufrágio lendário nos Estados Unidos

Foto: Mel Fisher's Shipwreck Expeditions

Depois de quase três décadas sem localizar um único lingote de prata, uma equipe de caçadores de tesouros anunciou uma descoberta que reacendeu o fascínio por um dos naufrágios mais famosos do mundo. Mergulhadores da Mel Fisher's Shipwreck Expeditions recuperaram uma barra de prata dos destroços do lendário galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, afundado em 1622 próximo aos recifes das Florida Keys, nos Estados Unidos. A peça, que permaneceu submersa por mais de 400 anos, representa a primeira barra de prata retirada do local desde 1999 e reforça a expectativa de que parte do tesouro ainda permaneça escondida no fundo do mar.


A barra recuperada pesa cerca de 22,5 libras (aproximadamente 10,2 quilos) e está avaliada entre US$ 50 mil e US$ 100 mil. Embora seu valor comercial seja elevado, especialistas destacam que sua importância histórica é ainda maior. O lingote fazia parte da preciosa carga transportada pelo Atocha, embarcação que integrava a Frota das Índias Espanholas e levava para a Europa riquezas extraídas das colônias americanas, incluindo prata, ouro, joias, cobre e pedras preciosas.


Construído no início do século XVII, o Nuestra Señora de Atocha era um dos navios mais importantes da Coroa Espanhola. Em setembro de 1622, durante a viagem de retorno para a Espanha, a embarcação foi surpreendida por um poderoso furacão ao sul da Flórida. O galeão naufragou juntamente com outros navios da frota, provocando a morte de centenas de pessoas e espalhando toneladas de riquezas pelo fundo do oceano. Estima-se que apenas cinco dos cerca de 265 tripulantes tenham sobrevivido ao desastre.


Durante séculos, a localização exata do naufrágio permaneceu desconhecida. A situação mudou apenas na década de 1960, quando o lendário caçador de tesouros Mel Fisher iniciou uma longa busca pelos destroços. Após anos de pesquisas, investimentos e inúmeras expedições, sua equipe encontrou o chamado "filão principal" do tesouro em 1985, revelando um dos maiores achados arqueológicos subaquáticos já registrados. A descoberta incluiu milhares de moedas de ouro e prata, joias, lingotes, objetos religiosos e artefatos históricos avaliados em centenas de milhões de dólares.


A recuperação do tesouro, no entanto, também ficou marcada por uma intensa batalha judicial. Durante anos, o estado da Flórida reivindicou parte das riquezas encontradas, alegando direitos sobre os destroços localizados em suas águas. O impasse foi encerrado em 1982, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu o direito da equipe liderada por Mel Fisher de explorar e manter a propriedade dos objetos recuperados, decisão que se tornou um marco para a exploração de naufrágios históricos no país.


Segundo a Mel Fisher's Shipwreck Expeditions, a nova barra de prata foi localizada durante uma expedição de rotina realizada em uma área onde ainda existem porções do naufrágio parcialmente cobertas por areia e sedimentos. A dinâmica das correntes marítimas modifica constantemente o relevo submarino, expondo e ocultando artefatos ao longo dos anos. Esse fenômeno explica por que objetos de grande valor continuam sendo encontrados mesmo após décadas de pesquisas intensivas.


Além do valor financeiro, a peça oferece informações importantes para arqueólogos e historiadores. Inscrições gravadas nas barras de prata costumam indicar a origem do metal, a fundição responsável pela produção, o peso oficial e os selos utilizados pela administração colonial espanhola. Esses detalhes ajudam pesquisadores a reconstruir as rotas comerciais da época e compreender melhor a organização econômica do Império Espanhol durante o período colonial.


O Atocha continua sendo considerado um dos naufrágios mais ricos já encontrados. Estimativas apontam que uma parcela significativa da carga original ainda pode permanecer espalhada pelos arredores dos destroços, escondida sob camadas de areia ou em áreas ainda não exploradas. Por isso, a região continua atraindo arqueólogos, mergulhadores e equipes especializadas em busca de novos vestígios da embarcação.

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