Movimento que reacende esperanças: paciente com lesão cervical grave apresenta resposta após tratamento experimental em São Paulo

Avanço clínico observado após aplicação de substância ainda em estudo reforça o debate sobre novas possibilidades terapêuticas para lesões medulares severas

A trajetória recente da nutricionista Flávia Bueno passou a simbolizar, para familiares, profissionais de saúde e pacientes que convivem com limitações neurológicas, um raro encontro entre ciência experimental e esperança concreta. Após sofrer um acidente na praia de Maresias, no litoral paulista, no dia 3 de janeiro, Flávia teve a medula espinhal gravemente lesionada na região cervical, comprometendo áreas decisivas para funções motoras e respiratórias. Diante da ausência de alternativas terapêuticas convencionais capazes de promover recuperação funcional significativa, a família buscou autorização judicial para que ela recebesse um tratamento ainda em fase experimental, conduzido no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.


A intervenção envolveu a aplicação da polilaminina, substância investigada por pesquisadores por seu potencial de estimular processos de regeneração no sistema nervoso. Em lesões medulares, estruturas essenciais dos neurônios responsáveis pela condução de sinais entre o cérebro e o restante do corpo são danificadas ou interrompidas, o que impede movimentos voluntários e reduz sensibilidade. A proposta científica por trás da polilaminina concentra-se justamente na tentativa de favorecer a reconstrução dessas conexões, criando condições para que funções neurológicas parcialmente perdidas possam voltar a se manifestar.


Dias após o procedimento, familiares divulgaram nas redes sociais um registro em vídeo que mostra Flávia movimentando o braço direito, gesto simples à primeira vista, mas carregado de significado clínico e emocional. O movimento foi recebido como um sinal positivo dentro de um quadro historicamente marcado por prognósticos reservados, sobretudo quando a lesão atinge níveis cervicais altos, como C3, C4 e C5. Embora ainda distante de representar recuperação funcional ampla, a resposta observada inaugura uma nova etapa de acompanhamento médico e reforça a importância de monitoramento contínuo diante do caráter experimental do tratamento.


A equipe responsável mantém postura cautelosa, característica essencial em contextos que envolvem terapias em desenvolvimento. A evolução neurológica após lesões medulares costuma ser imprevisível, e respostas iniciais precisam ser avaliadas ao longo do tempo para que se compreenda sua real extensão. Ainda assim, episódios como o de Flávia ampliam o campo de discussão sobre caminhos terapêuticos que, até pouco tempo, pertenciam apenas ao horizonte da pesquisa científica.

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