Escolher onde a criança assiste é tão importante quanto o desenho: plataformas com curadoria garantem segurança digital infantil

Recomendações automáticas, publicidade e conteúdos sugeridos ampliam a discussão sobre segurança infantil nas plataformas digitais

pexels/reprodução

Escolher um desenho adequado para a idade, colocar na televisão ou no celular e aproveitar aqueles minutos para resolver alguma coisa em casa. A cena é comum na rotina das famílias, mas esconde uma segunda escolha que nem sempre é tão evidente: além do conteúdo, importa o ambiente digital em que a criança vai assisti-lo.


Isso porque o fim de um episódio não significa necessariamente o fim da experiência. Reprodução automática, recomendações e sugestões podem levar a criança de um conteúdo a outro sem que os pais façam uma nova escolha.


A questão amplia uma discussão que durante muito tempo esteve concentrada no número de horas diante das telas. Classificação indicativa e tempo de uso continuam importantes, mas passam a dividir espaço com outras perguntas: quem seleciona o próximo conteúdo? O que pode aparecer depois? Há publicidade? Existe estímulo ao consumo? Os pais conseguem limitar a navegação?


“Os pais costumam escolher o desenho, mas nem sempre percebem que também estão escolhendo todo o ambiente ao redor daquele conteúdo. Quando a criança continua assistindo sem um adulto ao lado, a previsibilidade passa a ser uma questão importante”, explica Daniella Biselli, Head de Produto da Watch TV.


Quando entretenimento e publicidade se confundem

A preocupação ganha outra dimensão quando entram em cena os estímulos comerciais.

Para crianças, a separação entre entretenimento e publicidade nem sempre é evidente, especialmente quando produtos, marcas e mensagens comerciais aparecem incorporados à linguagem e ao conteúdo que estão consumindo.

No ambiente digital, isso torna relevante observar não apenas se determinado desenho é adequado à idade, mas também o que acontece antes, durante e depois dele.

Para Daniella, a discussão exige olhar para a experiência como um todo. “Uma coisa é a família decidir que a criança pode assistir a determinado conteúdo. Outra é ela ser exposta, a partir daquela escolha, a uma sequência de estímulos que os pais não necessariamente conhecem ou escolheram”.


Plataformas fechadas são uma das respostas

Uma das formas encontradas pelo mercado para aumentar essa previsibilidade são os ambientes com catálogos previamente definidos, conteúdos licenciados e ferramentas que permitem aos responsáveis restringir a navegação.

A Watch TV é um exemplo desse modelo. Na área destinada às crianças, a plataforma trabalha com catálogo curado, perfis protegidos e controle parental para restringir o acesso a conteúdos que julguem não apropriados para a faixa etária da criança. A empresa também bloqueia publicidade às crianças com o objetivo de não estimular o consumo.

A lógica é reduzir a distância entre aquilo que os pais acreditam ter escolhido e o que efetivamente pode aparecer na tela.

Os dados de audiência da plataforma ajudam a mostrar como esse consumo acontece na prática. Nos últimos 30 dias, Gloob, Gloobinho, Daniel Tigre, Hotel Transilvânia e Sonic estiveram entre os conteúdos infantis mais assistidos na Watch TV. Considerando o tempo total de reprodução de canais, séries e filmes no período, os filmes concentraram 64% das horas assistidas, seguidos pelas séries, com 26%, e pelos canais, com 11%. 

Entre os canais, um dado chama atenção: o Cartoon Network, que entrou no portfólio da Watch TV apenas em 16 de setembro, respondeu por 16,5% das horas assistidas em canais no período, apesar de ter ficado disponível por menos de duas semanas.

Mais do que servir como ranking de preferências, os números ajudam a entender a repetição e a continuidade que caracterizam parte do consumo infantil. Para crianças menores, por exemplo, rever personagens e histórias conhecidas faz parte da rotina de entretenimento, tornando ainda mais relevante o que a plataforma oferece quando um episódio termina.


Mais controle não significa deixar de acompanhar

Ambientes controlados e ferramentas de proteção não substituem a participação dos adultos. A tecnologia pode limitar caminhos, mas decisões sobre tempo de tela, idade adequada e conteúdos permitidos continuam pertencendo a cada família.

O que muda é o número de critérios disponíveis para essa escolha. Além de perguntar “esse desenho é adequado para meu filho?”, os responsáveis podem observar se existe controle parental, como funcionam as recomendações, se há publicidade direcionada e até onde a criança consegue navegar sozinha.

“Não se trata de criar um ambiente em que os pais não precisem acompanhar os filhos. A tecnologia deve fazer justamente o contrário: oferecer ferramentas para que eles consigam estabelecer os limites que fazem sentido para cada família”, conclui Daniella.

No fim, a escolha do desenho continua importante. Mas, diante de plataformas capazes de decidir automaticamente o que vem depois, escolher onde a criança vai assistir pode ser tão relevante quanto escolher o que ela vai assistir.


Sobre a Watch TV

Fundada em 2018, em Curitiba (PR), a Watch TV é uma plataforma de entretenimento que reúne filmes, séries, canais ao vivo e outros conteúdos em um único ambiente digital. A empresa atua em parceria com provedores de internet de diferentes regiões do Brasil, que oferecem a plataforma aos seus assinantes. O serviço conta com conteúdos de estúdios e canais licenciados, acesso multiplataforma e recursos como perfis personalizados e controle parental.

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