Novo filme da Netflix reconta o caso de Elize Matsunaga

Netflix/Divulgação

Mais de uma década após um dos crimes de maior repercussão da história recente do Brasil, o caso Elize Matsunaga volta ao centro das atenções com o lançamento de "Elize: Sombras de Uma Mulher", novo filme da Netflix. Diferentemente da minissérie documental lançada pela plataforma em 2021, a nova produção adota uma abordagem ficcional para reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte do empresário Marcos Kitano Matsunaga, explorando os conflitos do casamento e os aspectos psicológicos que cercam a protagonista.


O longa é protagonizado por Lorena Comparato, que interpreta Elize, enquanto Henrique Kimura dá vida ao empresário Marcos Matsunaga. O roteiro foi desenvolvido por Raphael Montes, autor conhecido por obras como Bom Dia, Verônica, em parceria com Mariana Torres, sob direção de Felipe Vellas, responsável por produções como DNA do Crime. Segundo a própria Netflix, a proposta não é apenas reconstruir um crime famoso, mas compreender a deterioração de um relacionamento marcado por diferenças sociais, conflitos emocionais e decisões que culminaram em uma tragédia.


O caso que inspira a produção aconteceu em maio de 2012. Marcos Matsunaga, então diretor executivo da Yoki e herdeiro da família fundadora da empresa, desapareceu após entrar no apartamento onde vivia com a esposa, em São Paulo. Dias depois, partes de seu corpo foram encontradas em uma área de mata em Cotia, na Grande São Paulo. As investigações concluíram que ele havia sido morto com um tiro na cabeça e, posteriormente, esquartejado. Elize confessou o crime e afirmou que agiu após descobrir uma traição do marido. Em 2016, ela foi condenada por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Após cumprir parte da pena, progrediu para os regimes semiaberto e aberto, deixando o sistema prisional em 2022.


Embora parta de fatos amplamente documentados, "Elize: Sombras de Uma Mulher" não pretende reproduzir cada detalhe do processo judicial. O filme utiliza recursos narrativos da ficção para imaginar diálogos, situações privadas e momentos íntimos que jamais foram registrados oficialmente. De acordo com Raphael Montes, a equipe realizou uma extensa pesquisa baseada nos autos do processo, no documentário produzido pela própria Netflix, além de entrevistas e levantamentos complementares, utilizando a criatividade apenas para preencher lacunas inevitáveis da história.


Essa escolha diferencia o novo longa da série documental "Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime", lançada pela plataforma em 2021. Enquanto o documentário reúne depoimentos da própria Elize, investigadores, advogados e pessoas ligadas ao caso, a nova produção aposta no suspense psicológico para retratar a transformação da personagem ao longo do relacionamento. Em vez de concentrar a narrativa na investigação policial, a história procura compreender o contexto emocional dos protagonistas e os fatores que antecederam o crime.


A interpretação de Lorena Comparato também tem sido um dos aspectos mais comentados da produção. A atriz afirmou que encarou o papel com grande responsabilidade por retratar uma pessoa real envolvida em um crime que causou profundas consequências para diversas famílias. Segundo ela, o objetivo foi construir uma personagem complexa, evitando simplificações e respeitando a dimensão humana de uma história marcada pela violência.

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