Economista alemão Joachim Klement ganhou notoriedade ao prever corretamente os últimos três campeões mundiais; agora, seu modelo estatístico aponta um vencedor inédito e uma série de zebras no torneio
À medida que a Copa do Mundo de 2026 avança, previsões sobre quem levantará o troféu se multiplicam entre especialistas, torcedores e casas de apostas. Entre todas elas, porém, uma costuma receber atenção especial. O motivo é simples: ela vem de Joachim Klement, economista e matemático alemão que acertou, em sequência, os campeões das últimas três edições do Mundial.
Muito antes de a bola rolar em 2014, Klement apontou a Alemanha como favorita ao título. Quatro anos depois, seu modelo voltou a indicar a França como campeã na Rússia. Em 2022, quando boa parte das previsões dividia o favoritismo entre diferentes seleções, o economista novamente chamou atenção ao projetar a conquista da Argentina no Catar. O retrospecto perfeito transformou seu estudo em uma das análises estatísticas mais comentadas do futebol mundial.
Agora, para a Copa do Mundo de 2026, o pesquisador apresenta uma previsão que foge completamente dos favoritos tradicionais. Segundo seus cálculos, quem levantará a taça pela primeira vez será a seleção dos Países Baixos, encerrando uma espera histórica após três vice-campeonatos mundiais, conquistados em 1974, 1978 e 2010.
Um modelo que vai além do futebol
Ao contrário das projeções baseadas apenas na qualidade dos elencos ou no desempenho recente das seleções, o método desenvolvido por Joachim Klement reúne variáveis econômicas, demográficas e esportivas.
Entre os fatores considerados estão o desempenho histórico em Copas do Mundo, o tamanho da população, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, a posição no ranking da FIFA, a vantagem de atuar como país-sede e até mesmo características climáticas. A combinação desses elementos gera probabilidades para cada seleção ao longo do torneio.
Segundo o economista, a intenção nunca foi criar uma "bola de cristal", mas sim identificar padrões estatísticos que ajudam a explicar por que determinados países conseguem manter desempenho consistente em Copas do Mundo. Ainda assim, ele reconhece que o futebol continua sendo altamente influenciado por fatores imprevisíveis.
"Se você levar esse modelo completamente a sério, estará se iludindo. E, se apostar dinheiro apenas por causa dele, ninguém poderá ajudá-lo", afirmou Klement ao comentar as limitações da própria metodologia.
Nem o próprio criador esperava o resultado
Curiosamente, o principal surpreendido pela nova projeção foi o próprio matemático.
Ao rodar as simulações para o Mundial de 2026, Klement admitiu ter ficado impressionado com o desfecho apresentado pelo sistema.
"Fiquei horrorizado", declarou ao comentar o resultado inesperado das projeções, explicando que também não imaginava que os Países Baixos aparecessem como favoritos ao título.
Segundo ele, justamente por fugir do senso comum, o resultado chamou ainda mais sua atenção.
O caminho até o título
De acordo com o modelo estatístico, os Países Baixos percorreriam um caminho bastante desafiador até conquistar o inédito título mundial.
A campanha começaria com uma vitória sobre Marrocos na fase de 32 equipes. Em seguida, os holandeses eliminariam o Canadá nas oitavas de final, superariam a França nas quartas e venceriam a Espanha na semifinal.
Na decisão, enfrentariam Portugal, que faria sua primeira final de Copa do Mundo, sendo derrotado por 1 a 0, resultado que garantiria aos neerlandeses a tão sonhada primeira estrela.
Brasil eliminado pelo Japão
Além do campeão inédito, o modelo prevê algumas das maiores zebras do torneio.
Entre elas está a eliminação da Seleção Brasileira para o Japão logo na primeira fase eliminatória, em um resultado que Klement considera um dos maiores choques projetados por seu sistema.
Outra surpresa seria Portugal eliminar a Argentina nas quartas de final, encerrando precocemente a campanha dos atuais campeões mundiais.
Já o México, mesmo atuando como um dos países-sede da competição, avançaria apenas como um dos melhores terceiros colocados da fase de grupos antes de ser eliminado logo no primeiro confronto do mata-mata.
Entre ciência e imprevisibilidade
Embora o histórico de três acertos consecutivos impressione, Joachim Klement faz questão de destacar que seu modelo está longe de representar uma certeza.
Segundo o economista, aproximadamente metade do resultado de uma partida de futebol depende de fatores impossíveis de quantificar, como decisões individuais, erros de arbitragem, lesões, condições emocionais dos atletas e acontecimentos imprevisíveis durante os jogos.
Na avaliação dele, o modelo identifica tendências estruturais importantes, mas não elimina o papel do acaso, elemento que sempre fez parte da história das Copas do Mundo.
A Holanda pode finalmente conquistar a primeira estrela?
Caso a previsão se confirme, os Países Baixos encerrarão uma das maiores lacunas da história do futebol.
Considerada uma das seleções mais influentes de todos os tempos, a equipe holandesa revolucionou o esporte com o chamado "Futebol Total", revelou alguns dos maiores jogadores da história e disputou três finais de Copa do Mundo, mas jamais conseguiu levantar o troféu.
A atual geração, liderada por nomes como Virgil van Dijk, Frenkie de Jong e outros atletas que atuam nas principais ligas da Europa, chega ao torneio cercada por expectativas, embora ainda não figure entre os principais favoritos das casas de apostas.
